Sustentabilidade, Moda, Upcycling e +

Sustentabilidade, eco, ética, moda sustentável… termos e expressões repletos de significados e que pouco a pouco tomam espaço, tornando-se cada vez mais visíveis em nosso dia a dia. Devemos ter a consciência de que a moda é uma das maiores indústrias do mundo tanto no sentido de desenvolvimento econômico e geração de empregos, como quanto ao consumo de recursos naturais -matérias-primas, energia, água e químicos- que são necessários para fazer o segmento girar.  E, apesar de toda grandiosidade e glamour que as pessoas imaginam ser a moda, por trás é preciso pensar no impacto que a indústria tem no nosso planeta e nas pessoas diretamente ligadas a elas, tal informação que está muito longe das revistas e vitrines.

IM1-SUSTENTABILIDADE-CT Muitos devem pensar que isso é “apenas” uma febre, porém, como tudo na vida, “a conta sempre chega” e não adianta correr porque iremos pagar em algum momento. E é exatamente por isso que todos esses termos estão tão em evidência nos dias de hoje, porque existe uma necessidade de inovar essa indústria que faz parte da vida de todos, mesmo indiretamente.  Um exemplo que achei interessante mostrar aqui, para que possam ver a gravidade da situação é que um estudo realizado em 2015 nos EUA pela Levi Strauss & Co, famosa Levi’s® mostrou que uma calça jeans usa 3,781 litros de água em todo o seu ciclo de produção e utilização, sendo que esse número engloba desde o cultivo de algodão, até a fabricação e o cuidado dos consumidores em casa.

A partir dessa necessidade de inovação, surgem novos modelos de negócios que inspiram e mostram que existe sim a possibilidade de unir a sustentabilidade com a moda, basta sairmos da zona de conforto. Com isso, separei 3 empresas que passaram a desenvolver produtos com soluções sustentáveis:

 – VIGGA – 

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PRODUTOS DA VIGGA ©REPRODUÇÃO

Como exemplo de negócio que impulsiona essa mudança usando a economia circular como conceito é a VIGGA, marca Dinamarquesa que, ciente do problema, criou uma solução que têm como principio reduzir, reutilizar e reciclar. Eles acreditam que não adianta desenvolver roupas de maneira sustentável se essa roupa vai ser usada poucas vezes e jogada fora. Pensando nisso, a marca focada em roupas de bebês oferece um sistema de assinatura que o consumidor paga um valor mensal e recebe uma seleção de roupas de acordo com o tamanho da criança. O bacana é que conforme a criança for crescendo e as roupas deixarem de servir, o que antes era deixado de lado, passa a ser utilizado por outra criança. Como? Os pais enviam as peças de volta para a marca, onde a mesma encaminha peças do tamanho certo . Sobre as roupas que retornam, e se estiverem em mal estado? Essas peças passam sempre por uma limpeza especial e caso houver problemas como rasgos e manchas, a VIGGA conserta quando necessário ou recicla quando a peça não é mais indicada para uso. Além disso, possuem mais um diferencial: as peças são desenvolvidas em algodão e lã orgânicos, ou seja, livres de agentes químicos prejudiciais à saúde.

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FILIPA K ©REPRODUÇÃO

– Filippa K –

Também visando uma economia circular, a marca Sueca Filippa K oferece serviços de locação de peças da coleção como uma forma oportunidade ao consumidor de se manter atualizado, sem a necessidade de consumir e acumular roupas no guarda-roupa. É possível alugar peças por quatro dias pagando 20% do valor, além disso, no site eles possuem uma seção com dicas e cuidados para que nossas roupas durem mais tempo.  É fundamental ressaltar que a Filippa K, apesar de ter uma sessão de “second hand” desde 2008, faz mediante um contexto diferente do que estamos condicionados a pensar. Não são peças vintages como em brechó, ou peças maltratadas e muitas vezes com cheiro forte. A grife leva essa ideia para outro patamar, investindo em Visual Merchandising e maneiras de reaproveitar esse produto. E claro, quando não é possível viabilizar a peça comercialmente, elas são enviadas para organizações humanitárias. Ou seja, além de outras ações pensando em uma moda mais sustentável, a marca está cada vez mais investindo em soluções para o descarte do produto, visando minimizar os impactos no nosso meio ambiente.

– À LA GARÇONNE – À La Garçonne SPFW- N41 abril/2016 foto: Zé Takahashi/FOTOSITE

À La Garçonne
SPFW- N41
abril/2016
foto: Zé Takahashi/FOTOSITE

Por último,  outro trabalho interessante é o de empresas que transformam materiais desperdiçados em matérias-primas, desenvolvendo novos produtos e dando “nova vida” aos resíduos. Esse processo é chamado de Upcycling e podemos ter orgulho, porque essa técnica foi aderida na marca brasileira À LA GARÇONNE, de Fabio Souza e Alexandre Herchcovitch. Onde eles abraçaram essa causa possuindo uma produção de baixa escala, desenvolvendo peças únicas a partir de garimpos de roupas prontas, tecidos esquecidos e materiais reciclados.

 

Mas claro que nem tudo são flores. Assim como a indústria de hoje levou tempo e aprendeu com os próprios erros para ser esse grande império, que infelizmente causa grandes impactos no nosso planeta, esses modelos de negócios fazem parte das mudanças e soluções para uma nova consciência na indústria. O importante é que eles existem e que os consumidores e os empresários entendam a necessidade de mudança, se identificando e apoiando essas ideias. Espero que tenham gostado desse post e caso queiram saber um pouco mais sobre o que aprendemos na Faculdade de Moda, me deixem saber aqui nos comentários <3

Beijos, Ca

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