PARIS HAUTE COUTURE | RESUMO DOS DIAS 22 e 23

Teve início no dia 22 em Paris a Semana de Alta-Costura, onde grandes grifes e estilistas desfilam suas coleções da temporada. No post de hoje vocês conferem um resumo dos principais desfiles que aconteceram nos dois primeiros dias da Haute Couture, de olho nas tendências apresentadas nas passarelas. Iris Van Herpen intitulou sua coleção como “Ludi Nature“. Ela é uma replicadora prodigiosa da natureza, usando processos que desafiam a moda e com uma interpretação observacional trouxe em seu desfile formas ondulantes e leveza excepcional. Suas especificações técnicas tem como principal o corte a laser um padrão paramétrico ligado ao solo em tule invisível. “Eu acho que nós, como seres humanos, nem chegamos perto da inteligência dentro da natureza. É divertido como as pessoas pensam que a natureza é simples e a tecnologia é complexa – é o contrário; A tecnologia é simples e a natureza é complexa “, disse Iris.

Os vestidos com padrões perfurados consistiam em couro nude e tecido líquido ligado a Mylar como um gradiente de bloqueio. A mudança estrutural do shape para fluido foi feito sem costura, onde notamos que as inovações de tecido de ilusão impressa em 3D são tão precisas que sentimos como se estivéssemos fazendo a topografia do corpo humano.


O solo em forma de tabuleiro, gaiola que decorava a sala e orelhas penduradas trouxeram forte inspiração surrealista, onde o tom do desfile de alta-costura da maison Dior foi dominado por branco e preto em boa parte dos looks.  Maria Grazia Chiuri, em sua busca de musas femininas e feministas, preferiu uma inspiração menos conhecida do grande público. Depois de Niki de Saint Phalle no desfile anterior, a estilista da maison parisiense escolheu como condutor a obra e a personalidade de Leonor Fini, artista nascida em 1908 em Buenos Aires, filha de pai argentino e mãe italiana.

Como sempre, os ateliês da avenue Montaigne trabalharam de forma minuciosa tules, rendas e organzas, em peças dignas de tapete vermelho. Mas sem esquecer do código de DNA da grife (cintura de pilão, no caso da Dior), uma obsessão para qualquer marca de luxo que se preze. Já o momento mais poético do desfile ficou por conta das palavras ao invés dos vestidos. Frases como “L’amour est devant vous. Aimez (O amor está à sua frente. Ame)” e “L’imaginaire c’est ce qui tend à devenir réel (O imaginário é tudo que tem tendência a se tornar real)” podiam ser lidas, como colares tatuados na pele que foram imaginadas por André Breton, um dos principais nomes do surrealismo.



O desfile ocorreu em um clássico jardim francês com uma fonte, trilhos arenosos e pérgolas rosqueadas. Em outras palavras: diferente das outras temporadas onde o cenário acontecia por exemplo, a caminho da lua em um foguete Chanel, você sabia onde você estava. Em vez disso, o tropo de jardim levou os convidados de volta ao que a temporada de alta costura em Paris costumava ser: um sopro de primavera envolto em uma beleza projetada para atrair clientes para Chanel HQ na Rue Cambon. Lagerfeld disse que tinha sido liderado pela espontaneidade, sem pré-planejamento: “Eu não sou uma pessoa de marketing; Eu não sei o que estou fazendo de certa forma – é apenas um sentimento.

A coleção foi apresentada com silhuetas variadas, entre elas shapes volumosos de largura até nivelada e perpendicularmente fina e estreita.  Com variedades de tons pastel espalhados em passagens de tweeds Chanel, vestidos de chiffon e roupas de noite, o mais bonito chegou no final: minidresses metálicos, sobrepostos por um tecido de chiffon até o chão.


Givanchy ficou entre os meus desfiles favoritos até agora. A coleção de Clare Waight Keller mostrou o poder de uma mulher, onde quis retratar “The idea of the moonlight, catching the dresses” – ideia de que a lua estivesse pegando os vestidos -. Uma coleção repleta de brilhos, tecidos nobres e peças dos mais diversos shapes, nessa estréia para Givenchy, Clare Waight Keller se distinguiu como uma mulher que merece esculpir seu lugar na alta costura moderna. Agora me conta, qual das propostas você gostou mais?

Beijos,

Carol

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